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Amazon Kindle, finalmente uma ameaça ao papel?
Há pelo menos 5 anos venho falando sobre o eInk, e de como a tinta eletrônica pode vir a interferir no negócio de milhões de gráficas mundo a fora. A música se digitalizou e mudou para sempre o negócio das gravadoras e distribuidoras. As imagens também se digitalizaram, mudando a forma com que lidamos com fotografias. Então era só uma questão de tempo para esta revolução chegar a leitura.
O Kindle da Amazon é somente o inicio de uma revolução, assim como o iPod. Quem compra CD se é possível “baixar” as músicas? Em pouco espaço de tempo os livros em papel irão começar a escassear. Nos EUA já são vendidos mais livros digitais do que em papel. Isto é muito bom para o meio ambiente mas como ficam as gráficas?
As gráficas irão sobreviver ainda por muitas décadas. Irão se transformar, mas, sem dúvida, irão sobreviver. Acredito que muitas já desapareceram, outras ainda desaparecerão. Mas, muitas ressurgirão com novos conceitos, novas filosofias. Este mercado irá passar por uma profunda transformação.
O eInk, matéria prima que serviu de base para a criação dos eBooks como o Kindle, pode ser usado para múltiplas aplicações, como: Outdoors, letreiros e banners, não ficando apenas restrito aos livros. A fabricante de pneus Bridgestone (pasmem) já está desenvolvendo uma tecnologia de tinta digital similar ao eInk. Em breve também já teremos os visorem em cores. Nos países em desenvolvimento, onde é cada vez maior o número de pessoas da classe C terem acesso à livros, revistas e jornais, a tendência é o número de gráficas aumentar para suprir a demanda de pequenas tiragens. O mesmo não pode ser dito aos nossos colegas do hemisfério norte.
Para evoluir e não ficar para trás, as gráficas devem procurar criar modelos de negócios sustentáveis que agreguem valor para o cliente final. Então, tendo em mente que a tendência é a redução do consumo de papel, cada vez mais torna-se necessário que as gráficas estejam preparadas para as tecnologias digitais em múltiplas mídias, não apenas a impressa.
Evitando erros comuns
Terminei a criação, e agora?
Você terminou aquele Job e vai mandar para a impressão, certo? O que fazer então?
1.Rode um corretor ortográfico, você ficaria surpreso ao saber a quantidade de gente que não faz isto.
2.Faça uma correção visual do texto, alguns erros o corretor ortográfico não pega. E pega muito mal um belo trabalho com erros de português.
3.Dê para uma 3ª pessoa dar uma lida final para ver se não sobrou nem um errinho!
4.Verifique os pequenos detalhes como: Cores que se tocam (e irão precisar de trapping). Paginação (para posterior imposição). Separação de cores, veja se não esqueceu cores a mais (ou a menos). O layout e o design da(s) página(s). A qualidade das imagens e dos gráficos, se estão bem retocados para o tipo de impressão. Marcas de corte. Sangrias. Verifique se você não está violando nenhuma regra (guidelines). Se a tipografia usada está ok. Determine se vai mandar o arquivo “aberto” no software em que criou (mais complicado). Ou “fechado” em PDF (cuidado com as fontes).
5.Verifique com seu provedor de impressão que plataforma ele utiliza, Mac ou Pc.
6.Verifique a versão do sistema operacional.
7.Verifique se ele tem a versão correta do programa para abrir seu Job. (Lembre-se pirataria é crime!)
8.Lembre-se, que NÃO EXISTE ARQUIVO PRONTO PARA A IMPRESSÃO. Ao entregar seu Job na gráfica, este ainda terá de passar por uma série de manipulações nos mais diversos softwares e sistemas operacionais , sendo que as mais comuns são:
9.Trapping – É criado uma 3ªcor, bem sutil, entre cores que se tocam para evitar o filete branco caso haja algum problema de registro.
10.Paginação – O documento é paginado, páginas são inseridas, numeração, cabeçalho, rodapé.
11.Imposição – As páginas são dispostas num plano de impressão e ficam numa ordem tal que depois de dobrado o papel e cortado tudo volta ao normal. O software de imposição aplica as marcas de registo, barras de controles diversos, marcas de pinça, etc.
12.Separações de cores – Um jogo de chapas será gerado, uma para cada cor do seu Job.
13.Cuidado com as provas digitais, elas (em geral) são muito mais belas do que o impresso final. Sua gráfica tem que ter procedimentos especiais (calibração de cor) que garante que a prova digital será uma reprodução o mais próxima possível da impressão.
Pronto! Se tudo correu bem, se as provas foram aprovada, as cores estão ok, todo o resto está de acordo com suas espectativas, seu Job está pronto para ser impresso.
A internet e a legislação
Adalberto Diniz
Diretor secretário da Apijor (Associação Brasileira de Defesa da Propriedade Intelectual dos Jornalistas)
A sociedade contemporânea vive uma das mais importantes revoluções: a da comunicação. A primeira ocorreu no século XIV, quando Gutenberg inventou a impressão em tipos móveis, possibilitando muitas cópias dos livros, antes manuscritos e editados sob severa vigilância do Estado e da Igreja. O invento possibilitou o aumento do volume das publicações, obrigando os governantes a criar o sistema denominado “privilégios” – autorização para a impressão de livros concedidos através do Conselho do Rei – formado por monarcas e religiosos. O que parecia ser o primeiro esforço para regulamentar a questão autoral, na verdade, serviu, na prática, como eficiente instrumento de censura e controle das publicações que se multiplicaram.
A segunda revolução da comunicação estamos vivendo hoje, a chamada Era Digital. Ela possibilita a transformação de obras intelectuais e de informações em bits e sua rápida difusão através do ciberespaço. A diferença é que o impacto da primeira revolução foi absorvido lentamente, o que permitiu a ampliação da proteção legislativa às obras intelectuais, antes restrita a poucas criações. A segunda revolução tem características muito diferentes e vem apoiada na velocidade do desenvolvimento tecnológico alargando as possibilidades de captação, manutenção, tratamento e circulação de informações, virtualmente, sem limites de tempo e espaço.
A legislação não acompanha esse ritmo intenso e daí surgem problemas na área do direito, onde os crimes são impossíveis de serem tipificados, face a sua intangibilidade – a tônica nos crimes na era digital – tudo é virtual. São lesões contra o patrimônio, honra, economia e direitos: trabalhista, administrativo, internacional, tributário e autoral, dentre outros, são próprios da Internet.
Para nos fixar somente no Direito de Autor, direito que protege a todos os autores de obras intelectuais, entre eles os jornalistas, categoria duramente atingida pelo desenvolvimento tecnológico. Esses trabalhadores vêm hoje sua produção – sujeita a multiusos – ser comercializada de forma massiva, transformada nos diversos novos produtos criados e oferecidos através das agências-da-casa – ligadas aos grande diários e periódicos. Que na luta pela hegemonia do mercado, comercializam gráficos, informações e imagens, por preços irrisórios, não somente para os jornais do interior – como antes – mas também para empresas públicas, privadas – dos mais distintos ramos de negócios – e governos municipais, estaduais e federal.
O objetivo do Direito de Autor é associar de forma eqüitativa o autor de uma criação intelectual com a exploração econômica de sua obra. Assim, diante da importância e valor de sua principal matéria-prima, todos os jornalistas deveriam fazer o que estão fazendo os jornalistas norte-americanos. Lá eles lutam por uma remuneração suplementar quando suas matérias reaparecem na Internet ou em CD-Rom. O problema não é novo e desde 1993, a National Writers Union (União Nacional de Escritores), tinha apresentado queixa contra grupos de imprensa e bancos de dados. Criaram uma sociedade arrecadadora para jornalistas, a Publishing Rights Clearinghouse ( PRC ) – inspirado na American Society of Composers, Authors and Publishers ( ASCAP ), organização que gere os direitos musicais nos Estados Unidos. O sindicato está orgulhoso de ter criado a “primeira agência de coleta de direitos cibernéticos”. Os repórteres fotográficos entraram com reivindicação semelhante e o grupo Time Inc. aceitou pagar 75 dólares suplementares para colocar na Rede fotografias já publicadas em suas revistas.
Os “atacadistas da notícia” – as poucas famílias que controlam a comunicação no Brasil – não negam o Direito de Autor, entendem, erroneamente, que o salário pago já é contrapartida suficiente e, por precaução, “inventam” contratos, assinados sob coação. Assim, garantem a ampliação de seus lucros, negociando a sobra residual de sua própria produção através de suas agências, sem pagar nenhum percentual de comissão.
A Internet enquanto mídia inigualável, provocou impacto estonteante e atingiu as legislações. Resta aos jornalistas – autores de obras intelectuais – ficarem atentos, pois no Congresso Nacional tramitam cerca de 40 projetos de leis visando regulamentar a Internet. Pressões internacionais mostram a necessidade da criação de lei específica, conforme modelos já existentes em vários países. Entre juristas e estudiosos, as opiniões se dividem, uns entendem que a rede deve continuar livre, anárquica e sem dono, como foi criada. Outros, por causa da pirataria de softwares, dos hackers, da pedofilia, dos sites com conteúdo de violência, das transferências ilegais de valores e das invasões de bancos de dados, entendem que a liberdade virtual plena está seriamente ameaçada. O projeto mais completo e o do senador Calheiros (PMDB-AL, pretende regulamentar o uso da Internet.
O que se verifica nesta sociedade virtual é que impera a noção de que a inexistência de lei específica tornou o espaço cibernético em terra de ninguém. Mas não é bem assim, a Internet, vista sem fantasia, é uma nova mídia, sujeita às legislações existentes que protegem os autores de obras intelectuais, no caso: os jornalistas, ampliarão sua proteção com a feitura de contratos, bem detalhados, prevendo todos os usos do conteúdo criado; prazos de pagamento e de usos; limites da licença; que direitos foram autorizados; créditos; veículos; garantias, etc.
A história da comunicação humana e sua integração na multimídia é baseada em condições técnicas, inovações tecnológicas aceleram a comunicação e a tornam mais completa, versátil e eficaz. No caso da multimídia, as condições técnicas se situam em vários níveis, formas de transmissão e codificação eletrônica, equipamentos adicionais e receptores.
A importância do software
Poucos profissionais da indústria gráfica preocupam-se com software ao comprar um novo equipamento. Já faz parte da nossa cultura, só notamos aquilo que podemos pegar, abrir, segurar, levantar, ver com um conta-fios, sujar as mãos. Poucos se dão conta que muitas vezes (se não a maioria), a peça mais importante para fazer o equipamento funcionar não se pode ver, nem apalpar. São linhas de códigos, executadas em silêncio nos bastidores, fazendo tudo funcionar com perfeição.
As perguntas mais frequentes são: Quantos Gb? Qual o formato? Quantas páginas por minuto? Qual a lineatura? Raramente perguntamos: Qual o software RIP que alimenta esta máquina? Qual a versão? Que sistema operacional? Quantos upgrades (atualizações)?
Estas perguntas também são importantes e deveriam ser feitas na compra de um novo equipamento. Hoje tudo pode ser controlado por algum tipo de software. Desde seu celular, até seu carro e seu micro-ondas. Porém, por ser silencioso e discreto, o software sempre fica relegado ao segundo plano.
Não raramente vemos empresas de porte que não tiram o máximo proveito de seus equipamentos de ponta de milhares de dólares . Neste caso o comprador estava apenas preocupado com o equipamento em sí (parte física); depois, surpreso, notou que existia um “tal” software para controlar ou alimentar com informação tal equipamento. Mas na hora da compra, ele esqueceu deste detalhe. Então improvisa uma máquina sub-dimensionada para rodar o software, com sistema operacional ultrapassado, cheia de vírus, spyware, e outros malwares. Backup? Nem se fala. Ah! Tinha aquele determinado módulo de software que o comprador achou que era conversa fiada do vendedor e retirou da proposta, mas que na verdade; se instalado, reduziria os tempos em 30%, além de melhorar o fluxo de trabalho reduzindo custos.
Concluindo, o conselho que dou é: Ao comprar equipamentos, desenvolvam a capacidade de enxergar além do físico, além da matéria. O software apesar de não ser visto, vai estar lá, vai precisar de um “bom” ambiente para rodar (sistema operacional), vai precisar de cuidados (backups/cópias de segurança), e vai precisar de atualizações constantes para continuar sobrevivendo. Trate seu software com carinho!
Mais importante de tudo, software deve ser comprado e não pirateado. Todos acham que software deve ser baratinho ou até grátis. Porém, esta é uma indústria que cresce a cada ano gerando trilhões de dólares mundialmente (vide Microsoft e Google). Portanto, se eu fosse dono ou ocupasse um cargo em alguma empresa do ramo gráfico, estaria mais preocupado em saber mais sobre o software e sobre o impacto que ele causa no meu negócio. Certo?
Impressão interativa
Em minha última ida à São Paulo, fiquei hospedado num pequeno hotel familiar, tipo “Bed and Breakfast”, nas proximidades do shopping Morumbi. Pois bem, conversando com a dona do estabelecimento, ela quando descobriu que eu era do ramo gráfico, confessou-me que não estava mais mandando imprimir folhetos para a divulgação do seu hotel. Indaguei admirado o porquê? Segundo ela o custo é muito alto, além do que as gráficas só imprimem grandes tiragens e ela não tem espaço para ficar guardando tanto papel. Seu último argumento foi o de que os hóspedes acabavam por jogar fora os folhetos colaborando para a imundice urbana e desperdício de recursos do planeta.
Na hora não me veio à cabeça nenhum argumento que pudesse defender as gráficas, mas depois pensando bem, temos que concordar que ela tem toda razão. Então como vender para esta cliente?
Parte da solução seria imprimir em gráfica digital, daí ela poderia fazer 1, 10, 50 ou 100 folhetos totalmente sob demanda.
Esta gráfica precisa estar equipada com um sistema de Web to Print para agilizar o pedido e permitir que o cliente possa fazer correções e atualizações no impresso.
O impresso deveria ser mais útil, poderia por exemplo exibir um código 2D com um link para um site de informações sobre quais espetáculos estariam em cartaz naquele dia na cidade.
Por último, o impresso poderia ser mais dinâmico, contendo um mapa da localização do Hotel em Realidade Aumentada (RA), no qual o cliente ao direcionar sua web cam do computador poderá visualizar na tela um mapa em 3D da localização do hotel.
Vocês acham que este simples folheto ainda iria para o lixo?